Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

La La Land

por Ana Lages, em 05.03.17

Ok!! E não é que La La Land é de partir o coração? Pois é, com essa é que eu não contava... Esta foi a minha reação final ao filme. Decidi vê-lo, pois queria comparar com o real vencedor "Moonlight" e ver se de facto havia motivos para tanta indecisão, e acredito que não! Embora La La Land seja uma história bonita, com fundos de verdade, não consegue de todo ultrapassar a dura realidade que surge representada, e muito bem, no Moonlight.

Resultado de imagem para oscares 2017 mistake gif

Ora bem, este filme começa de forma bastante simples, com apresentação da história das personagens principais - Sebastian interpretado por Ryan Gosling e Mia interpretado por Emma Stone - e o modo como elas se cruzam. Apesar da escolha de atores ser boa, acho que foi jogar pelo seguro, pois é já sabido da existente química entre ambos desde o "Crazy, Stupid, Love", onde tudo encaixou na perfeição. O carácter marcante de Emma (ver "Easy A") e o histórico charme de Ryan (ver "The Notebook") fazem o resto, como se pode constatar. 

Resultado de imagem para the notebook gifResultado de imagem para easy A gif

 

De facto, são estas as características que nos vão prendendo à tela, embora tivesse imenso tempo para ir controlando outro filme na TV... Bom, o filme desenrola-se, dois jovens à procura de conseguir os seus sonhos, com o destino a entrecruzá-los e o modo como eles acabam por aceitar-se.

No entanto, houve algo que para mim não encaixou muito bem: Greg. O suposto namorado, que Mia teria, antes de se envolver com Sebastian. Mas afinal, de onde é que ele saiu? Mais! Mia é supostamente uma rapariga nova, que trabalha numa cafetaria e que corre constantemente para audições para perseguir a carreira de atriz, ou seja, isto é o típico sonho americano! Fora disso, divide um apartamento com mais quatro raparigas. E no meio disto tudo, como é que ela foi arranjar um engravatado, de alta sociedade, chamado Greg?! Não percebi! Aliás, isto é coisa de filme claramente, porque na vida real é caso extra raro...

Bom, seguindo, o momento da paixão entre Sebastian e Mia prossegue, de forma elaborada, romântica e sonhadora, terminando com o épico cliché de ida ao cinema musiquinha de flauta, rufar dos tambores e, no momento tão aguardado, enquadramento circular a terminar no tão desejado beijo. 

kiss.png

 

 

Um aspeto que achei engraçado, foram as referências às estações do ano ao longo do filme, o que ajuda no enquadramento temporal, além de acreditar que seja propositado, para que as ações acontecessem conforme o ânimo do tempo. Ou seja, o primeiro contacto acontece no Inverno, início do filme, as coisas entre ambos ainda estão frias. Na Primavera desenrola-se a história, cresce o amor, e já no Verão, a coisa aquece e surgem os primeiros conflitos do casal.

 Sebastian inicialmente apresenta-se como uma pessoa que quer seguir o seu sonho - ter um bar de jazz onde a música fluísse com naturalidade – despreocupa-se com o que os outros pensam. E é assim, que este incentiva Mia a seguir também os seus sonhos - escrever uma peça onde ela se pudesse estrear e ganhar fama. Mas quando Sebastian houve uma conversa de Mia com a sua mãe, em como ele não tinha um emprego estável e ia apostar num negócio incerto, tudo se apresentava muito inseguro. Sebastian, decide assim, aceitar uma oferta de um amigo, para ser pianista da sua banda, onde teria um ordenado fixo. Embora no fundo ele soubesse que aquele contrato ia contra as suas ideias iniciais do jazz, ele aceita para no fundo ter algo fixo e digno.

Mia chega assistir a um dos concertos da banda e percebe que algo não bate certo quando ouve o ritmo da música – aquilo não era o que Sebastian gostava e defendia à uns tempos atrás. Ao mesmo tempo, ela desiste do seu trabalho na cafetaria e dedica-se à escrita da sua peça, onde irá pagar a um teatro para a poder estrear.

Um outro ponto que não gostei, foi a entrega da personagem Keith a John Legend. De verdade que não havia mais alguém? Porque não entregar este papel a um ator mesmo, dar a oportunidade a outros. É bom descobrir novos atores, com boas capacidades. Acho demasiado óbvio e talvez jogo de manobra à mistura, só para chamar atenção do filme e ao próprio cantor.  Se assim for, é um golpe muito baixo.

Continuando. Com a banda de Keith a ganhar cada vez mais fama, e com uma vida na estrada, Sebastian está cada vez menos tempo com Mia. Para compensar esse tempo perdido, ele prepara um jantar surpresa para a Mia e é aí que o choque acontece e ela o confronta sobre os sonhos que ele tinha deixado de perseguir. Ele responde que o sonho teria sido um fracasso e que pelo menos ele fazia algo que as pessoas gostavam. A discussão termina com Sebastian acusar Mia de que ela só teria andado com ele por ser ainda mais miserável do que ela, e agora que os papéis se invertiam, e ela não se sentia bem consigo própria. Com isto, Mia sai do jantar.

 Já no momento da apresentação da peça, Mia encontra-se bastante nervosa, pela responsabilidade que carrega e quando termina, percebe que para além da pouquíssima quantidade de pessoas assistir, Sebastian não estava presente. Como se não bastasse, quando sai do palco, ouve comentários negativos sobre a sua performance o que a deita totalmente abaixo. Tudo isso, no conjunto, foi a gota de água para que ela desistisse do seu sonho como atriz e regressasse para a sua terra natal, cortando todas as relações que tinha em Los Angeles, inclusive, a sua relação com Sebastian.

Os dois separam-se, mas tudo muda quando uma chamada de uma agente, liga para Sebastian a perguntar por Mia. Ela tinha gostado tanto da peça que queria uma audição dela para um grande filme.

 Sebastian faz assim o esforço de procurar Mia e ir buscá-la para a audição, sabendo que seria a sua sorte grande. Mia consegue. Numa conversa que premedita uma certa despedida, Sebastian fala como se cada um tivesse de seguir finalmente os seus sonhos e ambos dizem que se amarão para sempre. E assim acontece.

 Passados 5 anos, Mia é uma atriz famosa e Sebastian um grande pianista com o seu clube de jazz. Mas aqui entra algo que me aborreceu outra vez. Mia casou e teve uma filha, com outro homem! Numa última cena, Mia regressa a Los Angeles e mais uma vez, por intervenção do destino, esta depara-se consigo própria a entrar no bar de Sebastian, com o nome que ela, anos antes, tinha escolhido como Seb's. Depois de entrar e se sentar numa mesa, Mia cruza o seu olhar com o de Sebastian, quando este sobe ao palco para tocar o solo. A música escolhida foi precisamente a música do 2º encontro de ambos. Desta forma, ele reflete o sentimento de como tudo teria sido diferente se ele a tivesse acompanhado nos seus sonhos a Paris. A música, a melancolia, a despedida entre duas pessoas que claramente, estavam destinadas a amarem-se, compõem um final triste e de coração partido para La La Land.

Bom, resumo do filme: é uma história que retrata uma das verdades da vida, embora não seja das mais cruéis de engolir. Quando duas pessoas se amam, e o destino faz de tudo para os juntar, os sonhos metem-se no meio, e acabam por separá-los.

Um outro aspeto positivo, que gostei, foi a referência ao mundo do jazz, um estilo que gosto e admiro muito. Em contrapartida, achei as cantorias de Ryan e Emma um pouco fracas para um musical, embora na cena da audição da Mia tenha havido melhorias. Talvez, nesta componente, entre um pouco em jogo o papel de John Legend, para elevar a fasquia, se não…

A dança, não achei nada de elaborado, não me surpreendeu e acredito que com uns treinos todos nós o faríamos.

O que é verdadeiramente de louvar, foi a dedicação de Ryan Gosling às lições de piano. Todas as cenas onde ele surge a tocar, é mesmo ele! Foram precisas 4h por dia, durante 3 meses, para aprender e posso dizer Not bad, indeed! Se assim fosse para toda a gente, inscrevia-me já amanhã! Faço-lhe a vénia, sem dúvida, em pouquíssimo tempo tornou-se num pianista fantástico! Mais um extra acrescentar à sua pessoa.

Bom, uma vez que Emma Stone ganhou o prémio de melhor atriz, não podia deixar de opinar sobre o assunto. Embora só me faltou ver dois dos filmes para comparar, acredito que Emma realmente supera com a montanha russa de emoções que teve de apresentar ao longo de todo o musical. Não é fácil e ela fê-lo com muita facilidade, daí o merecido prémio.

Para terminar de vez, se aconselho a ver o filme? Sim, aconselho, porque embora seja uma história calma, as músicas vão-se suportando e há uma bastante bonita “City of Stars” que se poderá tornar num marco cinematográfico, talvez daqui a uns anos. Além disso, é possível identificar um enredo, típico das nossas vidas, onde se pode aprender uma lição. Se vai para a lista dos melhores filmes que já vi? Sem dúvida que não!

Resultado de imagem para la la land

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens



Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Favoritos