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Room

por Ana Lages, em 12.02.17

              Já tinha ouvido falar muito bem deste filme, como um dos melhores a seguir ao Spotlight e criei muitas expectativas! Valeu a pena! O filme realmente é um assombro e um confronto à nossa liberdade. Trata-se de uma jovem, Joy Newsome chamada de “Ma” praticamente ao longo de todo o filme, raptada quando tinha apenas 17 anos por um sujeito apelidado de “Old Nick”. Ma esteve confinada durante 7 anos num quarto de 10 m2, sem janelas (apenas uma claraboia), onde teve um filho, Jack, que se apresenta agora com 5 anos de idade, resultado das constantes violações sofridas pela mãe. Com o aumento da curiosidade, Jack começa a levantar questões que originam um igual desespero na mãe, e a faz tomar a difícil decisão de criar um plano de fuga. Após simular que o filho estava doente, ensaiaram a sua morte, de modo a que o raptor o tivesse de o enterrar no exterior, e assim abrir uma janela para escapar. Felizmente o plano deu certo. Mas, o problema maior viria a seguir. A dura realidade do mundo exterior. Todos os barulhos, as pessoas, a sociedade, as luzes, as cores, irromperam pela cabeça do Jack como um novo planeta. Tudo isto foi absorvido com calma mas com a típica curiosidade das crianças, que se deixam levar pelo deslumbramento. Para Ma as coisas foram mais complicadas. O seu maior desespero era libertar-se, mas quando isso aconteceu, o choque de como tudo continuou a evoluir na sua ausência foi maior do que o esperado. Os seus pais seguiram com as suas vidas, separados, os seus amigos, os seus vizinhos, até a sua casa estava diferente. E isso fez a sentir como se ela não importasse, como se ela não fosse relevante o suficiente, o que levou quase ao seu suicídio. Felizmente, Jack salvou-a. Duas vezes seguidas. E foi aí que Ma percebe que ela realmente importa, ela faz a diferença, pelo seu filho, ela é a sua base. A partir daí, os dois juntos, enfrentam este novo mundo, encarando todas as vivências como novas experiências.           

            Quanto à história, acho brilhante, não pela questão do rapto ou da fuga, mas dentro do contexto psicológico. Por vezes ouvimos falar de histórias semelhantes, mesmo em casos reais, de como as pessoas são raptadas e mantidas em cativeiro e nossa reação dita “normal” é ficarmos chocados, impressionados e com lamento por essas vítimas. Mas, esquecemo-nos da parte psicológica, que é a mais afetada. Lidar com o “pós-realidade” pode ser deveras traumático, confuso e difícil de entender. Creio que essa componente está magnificamente explorada por Lenny Abrahamson. Em modo de curiosidade, este romance foi escrito pela irlandesa Emma Donoghue, autora de outros bestsellers como Slammerkin, The sealed letter, Landing, Life Mask, Hood e Stir-Fry, e é um livro que faz parte do Plano Nacional de Leitura português, recomendado no programa de português do 8º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula. Por isso mesmo, acho que será um livro adicionar à minha coleção.

            Quanto à interpretação acho que está muito bem conseguida, nota-se que existe um elo de ligação trabalhado entre Brie Larson e Jacob Tremblay, este último que com apenas 9 anos já conseguiu arrecadar o prémio de Melhor Actor Juvenil. Veremos se este pequeno continua a mostrar os seus dotes interpretativos já no próximo filme “Before I Wake” e se tornará no próximo DiCaprio. Se aconselho a ver? Obrigatório ver e observar!

 

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