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La Promenade

por Ana Lages, em 31.01.18

Na continuação de explorar um pouco mais a culinária francesa e os seus encantos, dirigi-me a Villeneuve Tolosane, onde tive a sorte de dar com o restaurante “La Promenade” (“A caminhada” em português). Apesar do local ficar um pouco escondido, é bastante acolhedor e com um certo primor na decoração, com a clássica combinação entre os tons negros, vermelhos e cinza. Devo ainda salientar o conforto das cadeiras, algo frequentemente menosprezado no mundo da restauração e que em muito contribuiu para uma refeição agradável. Não tivesse eu a experiência, num restaurante italiano de renome a nível municipal, ter jantado numa cadeira funda de esplanada, que me impedia quase de chegar ao prato. A comida até podia estar boa, mas o jantar ficou logo ali arruinado.

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Bom, ainda quanto ao espaço, percebe-se de imediato que existe ali uma dinâmica diferente. Ao passar do hall da entrada para a sala das refeições, a estrutura em si, dá uma sensação inicial de uma antiga casa ou escritório, agora transformado e adaptado à receção de clientes. Só mais tarde é que descobri, após uma breve pesquisa, que o espaço também funciona como hotel na parte superior do edifício. A primeira impressão que tive faz agora sentido. Mea culpa, pois não prestei a devida atenção às escadas que havia logo na entrada.

Quanto ao atendimento, fomos imediatamente recebidos por um jovem servente, muito hospitaleiro e prestável, mas que demonstrava o típico nervosismo dos aprendizes. Gentilmente, conduziu-nos do hall para a sala, onde se encontra a gerente e/ou proprietária (acredito eu), que por sua vez denotava extrema confiança no seu serviço, além da simpatia. Logo ficamos à vontade, numa mesa de decoração simples e agradável. O espaço em redor logo se assemelha ao calor da nossa casa, pelas semelhanças com uma sala de estar. Ao fundo, uma grande janela preenche toda a parede, deixando ver todo o exterior.

 Neste momento, as mesas e as cadeiras são diferentes, mais confortáveis.

Neste momento as mesas e as cadeiras são outras, mais confortáveis.

 

Já com a carta são apresentados dois menus possíveis, com preços diferentes, onde se incluem entradas, prato principal e sobremesa. Dentro de cada menu é ainda possível escolher entre duas opções. Optamos pelo menu mais simples, acessível por cerca de 20€. Existem claro, mais pratos à escolha, mas o objetivo é experimentar o típico francês local e decidimos apostar numa escolha já pré-definida. A seleção dos pratos para mim é facilitada quando surge a famosa iguaria francesa, fois gras. Como sou contra o fabrico desse produto, elimino logo todas as opções que o contenha (podem encontrar aqui a explicação de como é feito https://pt.wikipedia.org/wiki/Foie_gras, ou para quem é mais corajoso, ir ao Youtube e ver todo o processo).

Ao contrário das entradas portuguesas, onde uma pessoa vai petiscando entre o pão com manteiga, azeitonas, rissóis e afins, na França não. A entrada consiste num pequeno prato elaborado, com menos quantidade do que o principal, e que pode ir desde uma simples salada até à carne ou peixe. Assim sendo, optamos pela “Tête de veau à la sauce ravigote” e só tenho elogios a dar. Consiste num pequeno bife de vaca, da zona do cachaço, com uma carne muito tenra, acompanhada por uma cenoura salteada. A sauce ravigote, uma verdadeira delícia faz a ligação entre ambas as partes e entende-se rapidamente porque é muito apreciada.

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(Peço desculpa pela qualidade da foto, mas o meu telemóvel não dá mais xD)

 

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La sauce ravigote

 

Como prato principal, aí sim, denota-se a diferença, pela maior quantidade e pela apresentação. O prato consistia nuns pequenos bifinhos de vaca, muito tenros e cobertos com molho e ervas. Acompanhar, um “montado” de batata, e legumes cozidos. Tudo no seu conjunto fazia a combinação perfeita, salientando o saboroso creme envolvente das batatas, levemente crocante no topo. Novamente, a quantidade bem doseada é a chave.

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Para sobremesa, optei por uma combinação de chocolate, que resultou no culminar perfeito de uma refeição extremamente bem preparada. O sabor da fatia de gâteau de chocolate, fazia lembrar um Ferrero Rocher em forma retangular. O chocolate, nada enjoativo, passava pelo sabor de avelãs, ao crocante de chocolate preto, com um ligeiro toque de doce de framboesa. Mais uma vez, simples, bem feito e com boa apresentação.

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No seu todo, posso dizer, que ao contrário de Portugal, as quantidades de comida em França são melhor doseadas. Não há exageros, ficando-se melhor servido com a maior diversidade de sabores, boa preparação e apresentação. A atenção dos funcionários é outro ponto em favor. O facto de durante o almoço começar a cair neve (estávamos em dezembro 17’), tornou este momento ainda mais prazeroso. Devo dizer, sem sombra de dúvida, que foi uma das melhores experiências que tive até agora até agora, incluindo Portugal.

 

Curiosidade: No final, a gerente, acabou por ter uma breve conversa connosco. Mostrou curiosidade pelas nossas origens portuguesas, falamos de trabalho, da minha recente presença em França e como ainda estava à procura de emprego. Dessa forma acabamos assim a falar jovem servente que nos tinha atendido. Acontece que aqui na França, nos cursos de Hotelaria, durante a componente prática (estágio num local de restauração), existem regras de “proteção” ao estagiário, que ficam a comprometer de certa forma o serviço a prestar. Num breve desabafo, a gerente mostrou o seu descontentamento com a falta de traquejo do jovem, não por culpa dele, mas pela fraca formação teórica. Para além da falta de conhecimentos básicos na arte de bem servir, falava ainda na limitação de tarefas que lhes são permitidas, e ainda dos estritos horários, uma vez que na França não existe o hábito de trabalhar aos fins-de-semana, mesmo na restauração. Havia de ser em Portugal, e mais não digo… 

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