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A Aranha Atordoada

por Ana Lages, em 12.03.17

Bom, se na história anterior a centopeia foi a protagonista do momento, nesta, a personagem principal passa a ser um aracnídeo, o que para mim, não é nada bom!

A seguinte história passou-se então já há algum tempo, teria eu uns 17/18 anos. Era verão, e eu estava em casa, num momento em que estaria a tomar banho, com a porta entreaberta devido ao calor... Ora, como vivo numa casa pequenina, com uma só divisão destinada aos atos de higiene, vi-me obrigada a deixar entrar a minha mãe, por uma questão de urgência. Este foi então o momento do ínicio da desgraça!

A minha mãe entra, começa a arranjar-se, penteia-se e como de costume, nos entretantos, analisa com olho microscópico todos os pormenores em seu redor. E não é que logo havia de estar uma aranha, lá no cantinho da parede oposta onde eu estava? Ah, mas não é uma aranhinha qualquer, daquelas de pernas finas com jeitos de bailarina! É uma daquelas senhora aranha, muito fofinha e peludinha, de cor negra carregada e bem constituída, acima dos 5cm. O que traduzindo para a minha pessoa, se torna num atentado emocional... Isto, porque, quem me conhece, sabe da minha dificuldade, por assim dizer, em aceitar os pêlos e a velocidade com que esse bicho se mexe... Para ajudar a entender a situação, aqui fica um esquema (Made in Paint, nunca falha!). 

eu.png

ok, no momento em que me apercebo da aranha, todo o meu ser entra numa espécie de transe, tipo Matrix, onde tudo acontece super lento e eu tento encontrar a solução mais eficaz. Felizmente sou bastante boa nisso, e a resposta parecia óbvia: se o bicho ficou quieto até agora, não vai ser neste momento que se vai mexer e eu vou sair daqui o mais rápido possível! Este plano tinha tudo para funcionar, não fosse a presença da minha mãe... Pois! É que ela possui digamos, um instinto incontrolável destruidor da bicharada... E eu parece que adivinhei! Conforme olho para ela, era isto: 

 

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Tal e qual que nem uma menina a receber doces!! Até os olhos brilhavam!! Não perdi nem um segundo e avisei-a, "Nem penses que vais sacar do chinelo e começar à chinelada dentro da banheira, comigo aqui! É que nem pensar". A sua resposta: com toda a calma, olha para mim, e sai da casa-de-banho sem me dizer nada... Isto é um sinal de que algo muito grave se vai passar!! Eu sabia!! Por isso mesmo, regresso ao chuveiro e tento despachar-me o mais rápido possível... Mas tarde de mais, pois ela estava de regresso e acompanhada por nada mais, nada menos, que um inseticida!! 

Antes que eu conseguisse sequer gritar um "Nããããoooo!", o botão foi pressionado e dali a 5 segundos, a aranha reagiu... Era o meu fim, eu nem queria acreditar, eu já estava a imaginar o cenário do Aracnofobia (1990) acontecer-me na vida real:

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Lá começa a aranha, cambaleante, a percorrer aqueles 2,5m que nos seperavam... Conforme a distância encurtava, os meus gritos aumentavam, assim como os insultos de todo o tipo... Eu queria fugir, mas nem sabia como, tinha medo de me mexer e a minha solução foi encostar-me o máximo possível à parede atrás de mim. Era esperar pelo pior... A aranha estava cada vez mais perto, até que!!... Começou lentamente a baixar do teto, em direção à banheira!! Ia acontecer, eu ia ter uma aranha daquelas a tocar-me, enquanto estava numa banheira... Cenário mais negro que isto impossível!! De repente!! A aranha, desprende-se totalmente do teto, cai na banheira na forma de um novelo negro e segue para o ralo... sem me tocar... eu nem queria acreditar na minha sorte... Respirei fundo, de alívio e olho para a minha mãe, que tinha a seguinte expressão:

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Para ela tudo correu dentro do planeado! O alvo foi atingido e eliminado, tal como previsto, e a casa tinha menos um parasita! O meu estado de loucura, agonia, raiva e desespero, explodiam ao mesmo tempo, deixando-me sem reacção possível, pois nem queria acreditar na situação que me tinha acontecido... Saí da banheira e em tom baixo disse "Nunca mais voltas a entrar na casa-de-banho enquanto eu cá estiver!". 

Nesse dia, a minha mãe seguiu a sua vida, satisfeita com o seu ato louvável (só que não), enquanto eu, permaneci em estado de choque por mais uma hora. Desde então, até ao dia de hoje, nunca mais tomei banho com a porte entreaberta, esteja frio ou calor! Não vá ela considerar tal ato como uma espécie de convite "Podes entrar quando quiseres!". Não! Nem pensar! A verdade é que ela ainda hoje entra, mas só e só se, após um devido inquérito da minha parte, não houver outra solução! Mas atenção! É entrar e sair. Sem mais extras! 

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