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Courgettes Recheadas

por Ana Lages, em 20.03.17

Esta é uma daquelas receitas ótimas para nos enganarmos a nós próprios, como se fosse uma “cheat meal”! Para além do aspeto final fantástico, que só isso faz crescer água na boca, é muito saborosa, e com os ingredientes certos, conseguimos um prato super equilibrado, sempre dependendo das nossas escolhas e imaginação! Só tem um senão, e aviso desde já, dá um pouco de trabalho e um certo cuidado a manusear as courgettes.

 

Ingredientes:

- 2 courgettes tamanho médio

- 2 latas de atum pequenas ou 1 grande

- Cogumelos

- Queijo

- Legumes variados: cenoura, alho francês, pimentos, tomate, cebola, alho

- Azeite

- Ervas aromáticas

- Sal

 

Elaboração:

  1. Num tacho, colocar um fio de azeite, cebola picada e um pouco de alho, para fazer o refogado.
  2. Depois de alourar ligeiramente a cebola, colocar um tomate picado, e manter em lume brando.
  3. Entretanto, lavar muito bem as courgettes e cortar as extremidades indesejáveis. Com muito cuidado, abrir as courgettes longitudinalmente, de forma a obter duas metades com tamanhos iguais. Para isso aconselho o uso de uma faca relativamente comprida, mas fácil de manusear.

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  4. Com ajuda de uma colher da sopa, retirar com cuidado, para não partir, o interior da courgette e reservar num recipiente. A courgette fica assim com uma forma de “barco” onde se irá colocar o recheio, e por isso a espessura não deve ser nem demasiado grossa, nem muito fina. De seguida, colocar num tabuleiro e levar ao forno a uma temperatura média, só para “amolecer” a courgette (ir verificando).

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  5. O interior da courgette é partido em bocadinhos e adicionado ao refogado. Como este legume é rico em água, pode-se subir um pouco o lume para ajudar a evaporar mais rápido.
  6. De seguida, pegar no resto dos legumes, cenoura, pimento, alho francês e picar tudo muito bem. Adicionar os cogumelos também. Se tiver os legumes congelados é só acrescentar. Mas atenção: deixar cozinhar bem para libertar o máximo de água possível. Temperar com um pouco de sal.
  7. Quando o preparado já tiver pouco água, adicionar o atum. Mexer tudo muito bem e temperar com ervas aromáticas: tomilho, orégãos, pimenta preta, entre outros. Deixar refogar até achar que o preparado está no ponto.
  8. Retirar as courgettes do forno e com ajuda de uma colher da sopa, rechear.
  9. Colocar um pouco de queijo por cima e levar ao forno, só para gratinar.
  10. Como acompanhamento, pode fazer-se uma salada ou então acompanhar com uma massa. Tenho a dizer que a tagliatelle fica especialmente bem! Para isso, basta cozer a massa em um pouco de água, com sal e um fio de azeite (para não colar). Para quem quiser acrescentar um pouco de sabor, no final da cozedura, escoa-se a água, e com um lume no mínimo, adicionar um fio de azeite, alho picado e ervas. Envolver tudo muito bem. Para os mais atrevidos, pode ainda acrescentar um pouco de queijo e fica top!

 

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E está! Tal como disse, esta receita leva um pouco de tempo e algum cuidado, mas o resultado é espetacular! A nossa imaginação e vontade dita o “peso” do prato, isto é, todos os ingredientes estão sujeitos a uma escolha prévia da nossa parte. Fica ao nosso critério, se o atum é ao natural ou em óleo, se o queijo é mais forte ou mais leve, se o acompanhamento é uma salada ou uma massa. Além das quantidades colocadas.

O recheio também pode perfeitamente ser substituído! Em vez de atum, podemos colocar carne picada, em vez de legumes, podemos colocar um pouco de chouriço ou bacon, e assim conseguir mais sabor (fica incrível!). Para os vegetarianos, é só optar unicamente pelos vegetais! Azeitonas, milho, quinoa, soja, são outros exemplos de extras que se podem acrescentar ao gosto de cada um.

Quantidades, raramente ponho! Quando cozinho faço tudo a olhómetro, literalmente! Esta receita dá perfeitamente para duas pessoas e ainda sobra, depois é só jogar com a porção de recheio preparado. Legumes frescos garantem mais sabor e melhor texturas do que os congelados. Espero que gostem!

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A Aranha Atordoada

por Ana Lages, em 12.03.17

Bom, se na história anterior a centopeia foi a protagonista do momento, nesta, a personagem principal passa a ser um aracnídeo, o que para mim, não é nada bom!

A seguinte história passou-se então já há algum tempo, teria eu uns 17/18 anos. Era verão, e eu estava em casa, num momento em que estaria a tomar banho, com a porta entreaberta devido ao calor... Ora, como vivo numa casa pequenina, com uma só divisão destinada aos atos de higiene, vi-me obrigada a deixar entrar a minha mãe, por uma questão de urgência. Este foi então o momento do ínicio da desgraça!

A minha mãe entra, começa a arranjar-se, penteia-se e como de costume, nos entretantos, analisa com olho microscópico todos os pormenores em seu redor. E não é que logo havia de estar uma aranha, lá no cantinho da parede oposta onde eu estava? Ah, mas não é uma aranhinha qualquer, daquelas de pernas finas com jeitos de bailarina! É uma daquelas senhora aranha, muito fofinha e peludinha, de cor negra carregada e bem constituída, acima dos 5cm. O que traduzindo para a minha pessoa, se torna num atentado emocional... Isto, porque, quem me conhece, sabe da minha dificuldade, por assim dizer, em aceitar os pêlos e a velocidade com que esse bicho se mexe... Para ajudar a entender a situação, aqui fica um esquema (Made in Paint, nunca falha!). 

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ok, no momento em que me apercebo da aranha, todo o meu ser entra numa espécie de transe, tipo Matrix, onde tudo acontece super lento e eu tento encontrar a solução mais eficaz. Felizmente sou bastante boa nisso, e a resposta parecia óbvia: se o bicho ficou quieto até agora, não vai ser neste momento que se vai mexer e eu vou sair daqui o mais rápido possível! Este plano tinha tudo para funcionar, não fosse a presença da minha mãe... Pois! É que ela possui digamos, um instinto incontrolável destruidor da bicharada... E eu parece que adivinhei! Conforme olho para ela, era isto: 

 

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Tal e qual que nem uma menina a receber doces!! Até os olhos brilhavam!! Não perdi nem um segundo e avisei-a, "Nem penses que vais sacar do chinelo e começar à chinelada dentro da banheira, comigo aqui! É que nem pensar". A sua resposta: com toda a calma, olha para mim, e sai da casa-de-banho sem me dizer nada... Isto é um sinal de que algo muito grave se vai passar!! Eu sabia!! Por isso mesmo, regresso ao chuveiro e tento despachar-me o mais rápido possível... Mas tarde de mais, pois ela estava de regresso e acompanhada por nada mais, nada menos, que um inseticida!! 

Antes que eu conseguisse sequer gritar um "Nããããoooo!", o botão foi pressionado e dali a 5 segundos, a aranha reagiu... Era o meu fim, eu nem queria acreditar, eu já estava a imaginar o cenário do Aracnofobia (1990) acontecer-me na vida real:

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Lá começa a aranha, cambaleante, a percorrer aqueles 2,5m que nos seperavam... Conforme a distância encurtava, os meus gritos aumentavam, assim como os insultos de todo o tipo... Eu queria fugir, mas nem sabia como, tinha medo de me mexer e a minha solução foi encostar-me o máximo possível à parede atrás de mim. Era esperar pelo pior... A aranha estava cada vez mais perto, até que!!... Começou lentamente a baixar do teto, em direção à banheira!! Ia acontecer, eu ia ter uma aranha daquelas a tocar-me, enquanto estava numa banheira... Cenário mais negro que isto impossível!! De repente!! A aranha, desprende-se totalmente do teto, cai na banheira na forma de um novelo negro e segue para o ralo... sem me tocar... eu nem queria acreditar na minha sorte... Respirei fundo, de alívio e olho para a minha mãe, que tinha a seguinte expressão:

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Para ela tudo correu dentro do planeado! O alvo foi atingido e eliminado, tal como previsto, e a casa tinha menos um parasita! O meu estado de loucura, agonia, raiva e desespero, explodiam ao mesmo tempo, deixando-me sem reacção possível, pois nem queria acreditar na situação que me tinha acontecido... Saí da banheira e em tom baixo disse "Nunca mais voltas a entrar na casa-de-banho enquanto eu cá estiver!". 

Nesse dia, a minha mãe seguiu a sua vida, satisfeita com o seu ato louvável (só que não), enquanto eu, permaneci em estado de choque por mais uma hora. Desde então, até ao dia de hoje, nunca mais tomei banho com a porte entreaberta, esteja frio ou calor! Não vá ela considerar tal ato como uma espécie de convite "Podes entrar quando quiseres!". Não! Nem pensar! A verdade é que ela ainda hoje entra, mas só e só se, após um devido inquérito da minha parte, não houver outra solução! Mas atenção! É entrar e sair. Sem mais extras! 

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Tosta de Guacamole e Ovo

por Ana Lages, em 06.03.17

Honestamente, este pode ser um dos snacks mais saborosos que já provei! E claro, fácil, rápido e económico.

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Ingredientes:

  • Pão de forma de cereais 
  • Guacamole (este comprei já feito no pingo doce a um preço muito acessível)
  • Ovo Poché
  • Fatia de fiambre
  • Ervas

 

  1. Coloquei duas fatias de pão a torrar, para este ficar torrado e um pouco mais duro, de forma a suportar o peso do recheio.
  2. Enquanto isso vou preparando o ovo poché. Não se deixem enganar pelo nome, pois não há nada mais simples. Este nome refere-se à técnica de cozedura da clara, enquanto a gema fica cremosa. Há dois modos de o fazer: ou numa panela, com água a ferver e um pouco de vinagre. Ao atingir a fervura, deitar o ovo e desligar o gás. O ovo coze assim mais rápido na clara, e não na gema. Ainda, existem outros métodos, como agitar a água num remoinho, enquanto se coloca o ovo e a água continua a ferver. Modos há muitos, mas isso também podem ir ao youtube e procurar diferentes técnicas, como eu fiz. A que eu escolhi, foi a mais rápida, no micro-ondas! Enchi a tigela até meio com água, um pouco de vinagre, coloquei o ovo com cuidado e siga! Como foi a primeira vez que fiz e não sei ainda conjugar o tempo com a potência do micro-ondas, cozeu de mais, mas era suposto ter ficado assim: Imagem relacionada

 Talvez para a próxima!

3. Depois de deixar as tostas arrefecer, barro com guacamole e coloco o ovo por cima, meio ovo em cada tosta.

4. Para dar um pouco mais de criatividade, acrescentar um pouco de fiambre às tostas e adicionei umas ervas.

 

Feito! E super delicioso! Ótimo para um snack, ou até para um jantar mais leve. Também deve ficar muito bom com uma salada de tomate acompanhar. Tudo parte da nossa imaginação! Experimentem e garanto que vão adorar!

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O Príncipe da Neblina

por Ana Lages, em 06.03.17

Este não foi o primeiro livro que li de Carlos Ruiz Zafón. O primeiro livro que li dele foi precisamente aquele que lhe trouxe imenso sucesso e reconhecimento mundial - "A Sombra do Vento" (2001). Este grande romance impressionou-me bastante, desde a escrita, ao enredo e o nível de ficção, nunca antes visto. Daí a minha curiosidade por ler uma das suas primeiras obras "O Príncipe da Neblina", que lhe atribuiu o Prémio de Novela Edebé em 1993, data em que a iniciou a sua carreira literária.

Esta obra permite de facto, fazer uma comparação evolutiva da escrita do autor, assim como da sua capacidade imaginativa, e devo dizer, mas que evolução! As suas ideias são tão únicas, que eu penso mesmo: mas onde é que ele foi buscar a inspiração para criar isto? Sonhou? Baseou-se em algo real? Não sei, mas ainda bem que há alguém assim.

De forma resumida, "O Príncipe da Neblina" trata da história de uma família inglesa, que se vê obrigada a deslocar-se para uma nova casa no sul de Inglaterra. Tudo parece bastante normal, não fosse pelos pequenos episódios que surgem rodeados de mistério e suspense. O desejo de querer saber sempre mais, faz com que o livro se devore em pouco tempo e com ansiedade de descobrir o final. Quando lá cheguei, fiquei um pouco desiludida, mas pela positiva, pois caso o final fosse como eu desejava, teria sido demasiado óbvio. É isso que eu também admiro nos escritores - ter a coragem de dar um final inesperado, contra todas as expectativas, nem que para isso a obra perca um pouco do encanto... Ou então, não será isso, que lhes dá esse tal encanto? Isso, acho que fica ao critério de cada um. 

 

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Não tenho muito mais acrescentar, pois, tal como disse, é uma obra bastante simples, mas um ótimo representante da meta de um escritor com sucesso. Se aconselho a ler? Sem dúvida! Principalmente, para aqueles que se querem aventurar os seus grandes romances. Digamos, que desta forma, já não levam um choque tão grande, pois já sabem que tipo de ficção existe nas suas obras. Embora, repito, "A Sombra do Vento", "O Jogo do Anjo" sejam de um nível muito superior. 

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Eu e os Políticos

por Ana Lages, em 06.03.17

O que me levou a comprar este livro foi precisamente toda a polémica criada em volta do mesmo. Supostamente, conteria revelações íntimas, quer de conversas particulares, quer da vida privada de figuras públicas. Ora, em Portugal há muito o hábito de criar tempestades em copos de água, só porque a alguém não lhe agrada que toquem em determinados assuntos. Antes de ler o livro, vi várias entrevistas a José António Saraiva, onde este foi alvo de questões bastante acusatórias e retóricas, que o deixavam entre a espada e a parede. Mas ele nunca vacilou. Em contrapartida, ninguém, pelo menos que eu visse, tentou explorar o lado do jornalista. E eu li com esse propósito, para saber se realmente haveriam revelações relevantes ou não. 

A mim nada me chocou, a não ser algo que eu já premeditava: muitos dos senhores governantes que andam lá cima, com os seus altos cargos, não passam de crianças mimadas engravatadas. Ponto! Toda a vida viveram em altos voos, a grande maioria já nasceu em berços de ouro, e nunca lidaram com outra realidade a não ser essa. Por isso mesmo, estão habituados a terem tudo a seu dispor, a fazerem o que querem, sem que alguém lhes diga o contrário. Um dos melhores exemplos disso mesmo é o de Vítor Constâncio, em que, a este senhor, toda a vida lhe deve ter corrido que nem gingas, para com aquela idade fazer semelhantes birras de mau perdedor. Haja paciência!

Outros registos só veem confirmar aquilo que todos nós já devíamos suspeitar: os "jogos" de dinheiro que existem por de trás de todos os negócios, os interesses, a hierarquia de estatutos, as mentiras, as histórias ludibriadas. Bom tudo isso, no seu conjunto, acho que reúne aquilo que é do pior para o nosso país. Estes senhores não conhecem o que é a vida no resto do país. Nasceram e viveram em Lisboa, na sua bolha, totalmente alienada do resto do país.

Sinceramente, uma pessoa do campo saberia dar muito mais valor àquilo que nós verdadeiramente precisámos e que é a base para um país se desenvolver: apostar na nossa produção alimentar, nomeadamente, agricultura, pecuária e pesca, aquilo que temos de melhor! Ao valorizar estas pessoas, que essas sim, trabalham no duro e sabem o que é a vida, teríamos uma melhor economia, melhor alimentação, diminuição da importação e aumento da exportação. Mas isso é secundário, infelizmente, pela falta de resultados imediatos. Para os meninos betos, o que rula, são submarinos e vistos Gold. Isso sim dá dinheiro!

Continuando. Houve outro fator que me preocupou um pouco mais e que me permite concluir, que é por estas e por outras que o país não vai para a frente.

"Conheço António Costa desde pequeno. Os nossos pais eram amigos, ou melhor, o meu pai e o pai dele, Orlando da Costa, pertenciam ao núcleo intelectual do Partido Comunista..."

Referente a António Guterres: "Ligou-me para o Expresso, explicou que ainda éramos primos..."

Estas são apenas duas das referências que surgem no livro, relativamente aos laços familiares que existem entres todos estes senhores. É uma espécie de "O pai que era escritor, e era irmão do advogado, que por sua vez teve um filho juíz, e outro arquitecto. Um casou-se com a engenheira Constança, e tiveram o Afonso que está envolvido no partido. São muito trabalhadores estes jovens, há que dar uma oportunidade. Porque não falas com o tio?" E por aí a fora, a história repete-se com muito títulos de Drs., Eng., à mistura. Tudo isto, leva-me a concluir com grandes certezas, que a monarquia neste país ainda permanece e está para ficar por muitos mais anos. De alguma forma, todos eles irão assumir um papel direto ou indireto, na direção de Portugal.

Ainda quantos às famosas acusações de envolvimentos sexuais, armas e drogas, só tenho a dizer: por favor! Isso a mim nada me espanta, aliás, só mostra a natureza selvática de pessoas como Emídio Rangel. A única coisa que me preocupa é o tráfico de armas para Angola. Mas isso, se não fosse feito por ele, faziam-no outros, e de certeza que havia e há mais gente envolvida no assunto. A questão é: alguém vai investigar? Alguém vai apurar factos? Claro que não! Agora, se viveu 3 anos com uma prostituta, é assim, até podia ter vivido durante 10 anos com 5 que isso a mim não me tira o sono. Mas pronto, como se mexe na ferida de meninos sensíveis, e o pobre do homem já não está cá para se defender, há que ter cuidado.

Para terminar, acho que é de louvar o que José Saraiva fez com este livro. Seja para beneficio dele ou não, para ganhar fama ou dinheiro. Acho muito bem que se comece a expor a verdadeira faceta destes senhores, e quem melhor para o fazer, do que um jornalista que já viu e ouviu tanto? Portugal ainda tem uma mente muito pequenina, e muito pouca aberta. Tudo choca, e ninguém pode abanar nos senhores do poder. E está também na altura de mudar isso. Mais livros destes se haviam de fazer. Nem que fosse só em modo de alertem para apurar certos comportamentos. Mais, em outros país qualquer, provavelmente, ao saber deste tipo de revelações, poderiam até averiguar a sua veracidade e investigar. Mas em Portugal, nem com provas isso funcionaria. Infelizmente.

Se recomendo a comprar? Só se for para matar o bichinho da curiosidade. 

Queria apenas deixar aqui uma nota final, antes que se choquem os mais sensíveis. A minha opinião não é de todo para ofender os ditos “betos” (condição que padecem os meninos ricos), lisboetas e afins. O que eu quero dizer, é que todo o país está a ser governado por uma elite específica de topo, criada numa redoma. E não digo que sejam todos, mas a maioria é. Haverá quem concorde comigo, espero! Do norte ao sul de país, existem ainda muito duras verdades, diferentes das da capital, e parece que ninguém vê isso. Na minha opinião, este tipo de monarquia devia ser erradicada. Mas como se acaba com algo, controlada por ela própria?

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La La Land

por Ana Lages, em 05.03.17

Ok!! E não é que La La Land é de partir o coração? Pois é, com essa é que eu não contava... Esta foi a minha reação final ao filme. Decidi vê-lo, pois queria comparar com o real vencedor "Moonlight" e ver se de facto havia motivos para tanta indecisão, e acredito que não! Embora La La Land seja uma história bonita, com fundos de verdade, não consegue de todo ultrapassar a dura realidade que surge representada, e muito bem, no Moonlight.

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Ora bem, este filme começa de forma bastante simples, com apresentação da história das personagens principais - Sebastian interpretado por Ryan Gosling e Mia interpretado por Emma Stone - e o modo como elas se cruzam. Apesar da escolha de atores ser boa, acho que foi jogar pelo seguro, pois é já sabido da existente química entre ambos desde o "Crazy, Stupid, Love", onde tudo encaixou na perfeição. O carácter marcante de Emma (ver "Easy A") e o histórico charme de Ryan (ver "The Notebook") fazem o resto, como se pode constatar. 

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De facto, são estas as características que nos vão prendendo à tela, embora tivesse imenso tempo para ir controlando outro filme na TV... Bom, o filme desenrola-se, dois jovens à procura de conseguir os seus sonhos, com o destino a entrecruzá-los e o modo como eles acabam por aceitar-se.

No entanto, houve algo que para mim não encaixou muito bem: Greg. O suposto namorado, que Mia teria, antes de se envolver com Sebastian. Mas afinal, de onde é que ele saiu? Mais! Mia é supostamente uma rapariga nova, que trabalha numa cafetaria e que corre constantemente para audições para perseguir a carreira de atriz, ou seja, isto é o típico sonho americano! Fora disso, divide um apartamento com mais quatro raparigas. E no meio disto tudo, como é que ela foi arranjar um engravatado, de alta sociedade, chamado Greg?! Não percebi! Aliás, isto é coisa de filme claramente, porque na vida real é caso extra raro...

Bom, seguindo, o momento da paixão entre Sebastian e Mia prossegue, de forma elaborada, romântica e sonhadora, terminando com o épico cliché de ida ao cinema musiquinha de flauta, rufar dos tambores e, no momento tão aguardado, enquadramento circular a terminar no tão desejado beijo. 

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Um aspeto que achei engraçado, foram as referências às estações do ano ao longo do filme, o que ajuda no enquadramento temporal, além de acreditar que seja propositado, para que as ações acontecessem conforme o ânimo do tempo. Ou seja, o primeiro contacto acontece no Inverno, início do filme, as coisas entre ambos ainda estão frias. Na Primavera desenrola-se a história, cresce o amor, e já no Verão, a coisa aquece e surgem os primeiros conflitos do casal.

 Sebastian inicialmente apresenta-se como uma pessoa que quer seguir o seu sonho - ter um bar de jazz onde a música fluísse com naturalidade – despreocupa-se com o que os outros pensam. E é assim, que este incentiva Mia a seguir também os seus sonhos - escrever uma peça onde ela se pudesse estrear e ganhar fama. Mas quando Sebastian houve uma conversa de Mia com a sua mãe, em como ele não tinha um emprego estável e ia apostar num negócio incerto, tudo se apresentava muito inseguro. Sebastian, decide assim, aceitar uma oferta de um amigo, para ser pianista da sua banda, onde teria um ordenado fixo. Embora no fundo ele soubesse que aquele contrato ia contra as suas ideias iniciais do jazz, ele aceita para no fundo ter algo fixo e digno.

Mia chega assistir a um dos concertos da banda e percebe que algo não bate certo quando ouve o ritmo da música – aquilo não era o que Sebastian gostava e defendia à uns tempos atrás. Ao mesmo tempo, ela desiste do seu trabalho na cafetaria e dedica-se à escrita da sua peça, onde irá pagar a um teatro para a poder estrear.

Um outro ponto que não gostei, foi a entrega da personagem Keith a John Legend. De verdade que não havia mais alguém? Porque não entregar este papel a um ator mesmo, dar a oportunidade a outros. É bom descobrir novos atores, com boas capacidades. Acho demasiado óbvio e talvez jogo de manobra à mistura, só para chamar atenção do filme e ao próprio cantor.  Se assim for, é um golpe muito baixo.

Continuando. Com a banda de Keith a ganhar cada vez mais fama, e com uma vida na estrada, Sebastian está cada vez menos tempo com Mia. Para compensar esse tempo perdido, ele prepara um jantar surpresa para a Mia e é aí que o choque acontece e ela o confronta sobre os sonhos que ele tinha deixado de perseguir. Ele responde que o sonho teria sido um fracasso e que pelo menos ele fazia algo que as pessoas gostavam. A discussão termina com Sebastian acusar Mia de que ela só teria andado com ele por ser ainda mais miserável do que ela, e agora que os papéis se invertiam, e ela não se sentia bem consigo própria. Com isto, Mia sai do jantar.

 Já no momento da apresentação da peça, Mia encontra-se bastante nervosa, pela responsabilidade que carrega e quando termina, percebe que para além da pouquíssima quantidade de pessoas assistir, Sebastian não estava presente. Como se não bastasse, quando sai do palco, ouve comentários negativos sobre a sua performance o que a deita totalmente abaixo. Tudo isso, no conjunto, foi a gota de água para que ela desistisse do seu sonho como atriz e regressasse para a sua terra natal, cortando todas as relações que tinha em Los Angeles, inclusive, a sua relação com Sebastian.

Os dois separam-se, mas tudo muda quando uma chamada de uma agente, liga para Sebastian a perguntar por Mia. Ela tinha gostado tanto da peça que queria uma audição dela para um grande filme.

 Sebastian faz assim o esforço de procurar Mia e ir buscá-la para a audição, sabendo que seria a sua sorte grande. Mia consegue. Numa conversa que premedita uma certa despedida, Sebastian fala como se cada um tivesse de seguir finalmente os seus sonhos e ambos dizem que se amarão para sempre. E assim acontece.

 Passados 5 anos, Mia é uma atriz famosa e Sebastian um grande pianista com o seu clube de jazz. Mas aqui entra algo que me aborreceu outra vez. Mia casou e teve uma filha, com outro homem! Numa última cena, Mia regressa a Los Angeles e mais uma vez, por intervenção do destino, esta depara-se consigo própria a entrar no bar de Sebastian, com o nome que ela, anos antes, tinha escolhido como Seb's. Depois de entrar e se sentar numa mesa, Mia cruza o seu olhar com o de Sebastian, quando este sobe ao palco para tocar o solo. A música escolhida foi precisamente a música do 2º encontro de ambos. Desta forma, ele reflete o sentimento de como tudo teria sido diferente se ele a tivesse acompanhado nos seus sonhos a Paris. A música, a melancolia, a despedida entre duas pessoas que claramente, estavam destinadas a amarem-se, compõem um final triste e de coração partido para La La Land.

Bom, resumo do filme: é uma história que retrata uma das verdades da vida, embora não seja das mais cruéis de engolir. Quando duas pessoas se amam, e o destino faz de tudo para os juntar, os sonhos metem-se no meio, e acabam por separá-los.

Um outro aspeto positivo, que gostei, foi a referência ao mundo do jazz, um estilo que gosto e admiro muito. Em contrapartida, achei as cantorias de Ryan e Emma um pouco fracas para um musical, embora na cena da audição da Mia tenha havido melhorias. Talvez, nesta componente, entre um pouco em jogo o papel de John Legend, para elevar a fasquia, se não…

A dança, não achei nada de elaborado, não me surpreendeu e acredito que com uns treinos todos nós o faríamos.

O que é verdadeiramente de louvar, foi a dedicação de Ryan Gosling às lições de piano. Todas as cenas onde ele surge a tocar, é mesmo ele! Foram precisas 4h por dia, durante 3 meses, para aprender e posso dizer Not bad, indeed! Se assim fosse para toda a gente, inscrevia-me já amanhã! Faço-lhe a vénia, sem dúvida, em pouquíssimo tempo tornou-se num pianista fantástico! Mais um extra acrescentar à sua pessoa.

Bom, uma vez que Emma Stone ganhou o prémio de melhor atriz, não podia deixar de opinar sobre o assunto. Embora só me faltou ver dois dos filmes para comparar, acredito que Emma realmente supera com a montanha russa de emoções que teve de apresentar ao longo de todo o musical. Não é fácil e ela fê-lo com muita facilidade, daí o merecido prémio.

Para terminar de vez, se aconselho a ver o filme? Sim, aconselho, porque embora seja uma história calma, as músicas vão-se suportando e há uma bastante bonita “City of Stars” que se poderá tornar num marco cinematográfico, talvez daqui a uns anos. Além disso, é possível identificar um enredo, típico das nossas vidas, onde se pode aprender uma lição. Se vai para a lista dos melhores filmes que já vi? Sem dúvida que não!

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